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O monólogo dos varridos

 É assim que a  enxada verga a espinha  calos saltam das mãos enxovalhadas  Os olhos rudes, secos, sérios Uma cara sem brilho, tosca.  É assim que deixam  A verdade sempre ansiada  Raptada , longe da luz,  Escondida atrás dos vultos  Que Não descansam Sem maldosamente Partir a haste  O  pão no chão  Espalhado  sem razão  Assim cospem uma cara honesta Até os sonhos se despedaçam  Tão pesado é o fardo Tão pesada é a vingança  A semeadura já nem dá grão  a comida podre levanta do chão  O bicho entra na boca  Apodreces tu  E apodrecemos nós também .