O encanto dos cantos

 As saudades chegam de todos os cantos

Do canto da janela

Vejo-te nova 

A puxar o tapasol

Para afastar a luz  fumegante do sol

E ficares ali a, ver meu  pai 

Que já vem


Fazer a curva da ponte

Homem trabalhador honrado

A sombra grande, transpirada 

 direita

Os ombros 

A baixar lentamente 

Os braços esticados, 

verticalidade perfeita

Os dedos amarrados  aos sacos 

 

Mal nos via, a comida já na mesa 

À espera daquelas mãos àsperas 

Daquele corpo, uma gruta   de fome

O fumo já tinha desaparecido 

Os olhos azuis  secos, sérios 

Inexpressivos, apressados


E ias de novo à janela 

Abrir o tapasol

E vias a curva da estrada 

Puxá-lo para lá

Para longe 

Até desaparecer.  





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