Amanhã, Sexta Feira Santa que Deus me perdoe!
Foi naquele inesquecível mês de junho de dois mil e vinte e cinco
Dia três, mais precisamente às dezasseis e trinta e oito minutos
Que a desgraça se abateu sobre mim
Sob o comando de uma mão que calça luva negra
E bata de satã, mulher ardilosa que repete
Mente sobre o Juramento de Hipócrates
Desumana, escura, fingindo-se passar
Por curandeira salvadora de almas à beira do precipício
Pior que a morte
Empurra mais depressa a vítima
E afirma com aqueles dentes aguçados de drácula:
Você é que sabe, a senhora é que sabe! num tom alterado,
As orelhas achatadas para trás, cauda chicoteando ,
Pelos eriçados , rosnados, bufados e agressiva
Com mordidas e arranhões. Uma felina perigosa.
Pois sei, por mim, enchia-te esse cabelo de cordas sujas
Para ficares bem aromática e insuportável
Metia-te nessa cara esconjurada
O tal pó de anjo, no lugar da morfina,
A droga mais eficiente , a fenciclidina e altamente
Alucinógena!
O pozinho de anjo fazia-te um bom arranjo
nesse rosto lindo, o branco cristalino.
Sentava-te numa cadeira de rodas, mãos amarradas , à janela a fumegar de sol.
E não dispensava ficar a ver-te debater num escoceio de nazista.
A paranóia em beleza, amnésia em aflição, sem esquecer crises de ansiedade.
Nesta altura já nem te lemravas que está tudo agarrado, atado!
Esquizofrênica, a loucura total! Os olhos a sair das órbitas!
Curaste uma lesão no sistema nervoso central.
O meu deslize foi confiar em ti e expor os acidentes do sistema.
Desconhecia que transitaras do público para o privado...
Coloquei o meu peito fora, afinal não te conhecia.. .
Veio a vingança;
Nova lesão no sistema nervoso central !
Mal sabia eu uma mulher médica...quem diria!?
Atacaria uma senhora idosa indefesa. Queixos sem vergonha!
Sem me esperar, praticou eutanásia antes de eu chegar.
O sofrimento que a individua me tem provocado deve-lhe chegar alguma coisa, se não chegou, há-de chegar. Uma vida de erros sem uma lição, não pode ser, é injusto!
Tamanha zanga!